O BARÃO DE TORCHWOOD E A BOLINHA
Tibérius Wolf, meu cachorro, voltára de uma cerimônia no Palácio de Buckingham onde recebêra do Rei William a Ordem da Jarreteira, e agora era Sir Tibérius Wolf, Primeiro Barão de Torchwood. Eu o esperava em frente a sua mesa procurando uma décima primeira unha para roer e já começando a desamarrar o cadarço do sapato para mandar ver nas unhas do pé quando a porta se abriu e ele entrou com o medalhão dependurado no pescoço com se fosse uma piada de mal gosto. Elizabetha Alexandrovna, também conhecida como Bettie Page, A Garota Renascentista, entrou logo atrás. Ela carregava pastas de arquivos e os depositou cuidadosamente na mesa de jacarandá do Senhor Wolf ( ou seria Sir Wolf, ou Sir Tibérius?). Bettie Page estava usando seu vestidinho preto básico, suas pernas ronronavam enquanto andava mas ela permanescia em silêncio como se o Novo Patamar do Chefe também a deixasse cautelosa no dirigir-se a ele. Ao virar-se para sair a acompanhei com os olhos, cada lado de suas maravilhosas nádegas sussurravam num Plano Mediúnico Inalcansável, Ra-bi-no, Ra-bi-no, Ra-bi-no....Eu quase podia ouvir até que a porta se fechou. Fiquei perturbado, eu aínda ouvia...
"Rabino!!!" - rosnou a Voz de Leonard Cohen do meu cachorro.
"Sim Senhor!" - voltei-me imediatamente.
Tibérius Wolf me encarava.
"Pegue a bolinha." Ele disse.
"Senhor?" - eu deveria dizer algo como Sim, Barão Wolf ou algo assim?...
"Na gaveta embaixo da garrafa de Ballantines. Tem uma coleira também. Pegue os dois."
Levantei-me e procurei as coisas. A bolinha de tênis verde, velha e surrada, e uma coleira, igualmente surrada como se tivesse saído de uma trincheira perdida da Terra de Ninguém, um século atrás. Talvez tivesse saído mesmo.
"Pegue a bolinha e a coloque no bolso e depois coloque a coleira em mim."
Eu fiz tudo em silêncio. Ele reparou.
Depois que coloquei a coleira ele se virou para mim.
"Não se atreva a me chamar de Sir. Recebi esta ...- ele olhou para o Medalhão da Jarreteira sobre a mesa- ...homenagem estúpida do neto coroado de uma velhinha muito esperta e decrépita que acredita que eu, recebendo o Baronato de Torchwood também cuidarei da Sessão dos Visitantes.."
"Sessão dos Visitantes?"
"Alíenígenas. Torchwood é uma Sessão da Inteligência que cuida apenas de alíenígenas, um pardieiro falido e francamente desinteressante. Reformarei a coisa toda....aínda que não concorde com a política de Sua Majestade. E ... Torchwood é vizinha do Condado de Baskerville. E eu não gostei da piada Rabino."
Tibérius Wolf se dirigiu para o canto esquerdo por trás de sua mesa e apertou com sua patinha o lado da estante. Uma porta se abriu.
"Venha Rabino, vamos descer uns lances de escada e seguir por um corredor, estaremos na Praça do Piccadily Circus em alguns minutos. Segure a coleira, por favor."
E isto foi feito. Meu cachorro descia a escada estreita em caracol à minha frente. Eu o olhava, e pensava...
...que as mais estranhas criaturas doss confins dos 33 Universos Conhecidos podem ser vistos de vez em quando como homens e mulheres, magros e morenos nas calçadas da City em trajes amassados, caminhando com o leve passo Estrangeiro, esgueirando-se para dentro dos clubes como se não conseguissem lembrar se pertencem a eles ou não. E com estas criaturas você pode conseguir informaçôes sobre Tibérius Wolf. Melhor aínda, você vai ouvir falar sobre ele em portos pesqueiros e esquecidos, onde as montanhas albanesas mergulham no Adriático. Se você trombar com uma peregrinação a Meca, há uma grande chance de que encontre ali uma dúzia de amigos de Tibérius Wolf. Em cabanas de pastores do Cáucaso você poderá encontrar restos de ossinhos largados, pois ele é perito em largar seus ossinhos por onde passa. Nos caravançarás de Bucara e Samarcanda ele é conhecido e há caçadores nativos na cordilheira de Pamir que aínda falam dele em volta de fogueiras. Se você fôsse visitas São Petesburgo ou Cairo, não adiantaria pedir indicações a ele, e se ele as desse elas o co duziriam a redutos estranhos, onde dervixes circulariam em êxtase cósmico junto a seguidores de Gurdjief e Ouspensky, o Quarto Caminho...Mas se o Destino o compelisse a ir para Lhasa, a Yarkand ou ao Sri Lanka, ele poderia traçar o roteiro para você e alertar amigos muito mais poderosos...os Mestres. Nós, os que trabalham para a Agência, somos denominados loucos, bizarros e insanos, mas a verdade é que somos a única raça no mundo que podem produzir seres capazes de entrar na pele de povos remotos. Talvez os cães como Tibérius Wolf ou mesmo o Chihuahua Traidor, Carlos, o Chacal, sejam melhores que os humanos, mas somos todos mil por cento melhores que quaiquer outras Agências de Espionagem. Tibérius Wolf foi o Cão Andarilho erguido ao patamar de Gênio. Nos Velhos Tempos tería liderado uma Cruzada ou descoberto uma nova rota para as Índias. Hoje ele apenas saía por uma porta secreta detrás de um teixo druídico na Praça em Piccadily Circus, guiado por seu próprio espírito...
Começava a anoitecer. Um homem e seu cão na Praça.
Retirei a coleira. Saquei a bolinha do bolso e a atirei.
Ele correu atrás da bolinha e voltou com o rabo abanando.
Atirei de novo.
E de novo.
E de novo.
E de novo.
Um homem e seu cão numa Praça.
Tibérius finalmente deitou-se e descansou no seu santo sono de cão.
E eu permanesci alerta a seu lado.
Porque até mesmo os Heróis mais improváveis e imperceptíveis precisam curtir a simplicidade da Vida. Uma Vida cheia de Perigos.
"Descanse bem Sir Tibérius.."
"Cale essa boca Rabino e deixe de firulagem."
"Sim Senhor Wolf."
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